sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais um pedaço.

Todos os dias encontro mais um pedaço do meu coração.
Quando se partiu, teve um efeito semelhante a uma bela jarra do século XII, em queda livre de um 20º andar, quando embate no chão. Ficou completamente destroçado, irremediavelmente partido.
Todos os dias encontro mais um pedaço do meu coração.
E encontro-os em todo o lado. Entre as teclas do meu teclado, que ultimamente tem sido a minha voz. No cinzeiro do meu carro que está cheio de beatas. No pires da chávena de café que bebo todos os dias. Entre a calçada das ruas que me trazem lembranças.
Todos os dias encontro mais um pedaço do meu coração.
E não sei o que fazer com eles. Todos os pequenos pedaços têm uma característica diferente, coisa que se deve a tudo o que já vivi. Não posso dizer que tenha sido muito, ou pouco, porque é impossível comparar vivências. A maior parte deles têm a tua cor, o teu cheiro, o teu sabor.
Todos os dias encontro mais um pedaço do meu coração.
Não sei se um dia conseguirei reunir todas as peças, porque acredito que cada vez que ele se parte, muitas peças ficam irremediavelmente perdidas. Mas quando reunir as suficientes, tentarei remenda-lo o melhor que conseguir. Nunca fui bom em trabalhos manuais, mas farei com que fique o mais direitinho possível. Tentarei fazer com que fique com o formato de uma pedra pousada algures na prateleira favorita de alguém.
Todos os dias encontro mais um pedaço do meu coração... que um dia foi teu e prometeste nunca partir.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Há dias bons.

No meio de tantos destroços, ruínas, dias de chuva e escuridão, há dias bons.
Há dias em que um raio de sol me bate na cara e aquece a alma. Há dias em que dá gosto sair de casa e rir por nada. Há dias em que algo parece fazer sentido.
Esses dias são patrocinados pela única coisa que vale a pena guardar cá dentro e nunca é demais: os amigos.
Mesmo sem o saberem, eles fazem-me ver uns metros adiante no futuro e ter a certeza que não é assim tão sombrio quanto parece.
Alegram-me a vida, aquecem-me o coração e fazem a minha alma sentir-se em paz. Não falo de conhecidos, falo de amigos. Amigos com quem posso contar. Amigos que fazem o que podem para nos dar a mão e ajudar a levantar.
São esses que fazem a diferença entre um dia bom e um dia menos bom... Obrigado a todos os meus amigos por existirem.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Influenciável.

Apeteceu-me escrever mais um texto. Geralmente é a esta hora que tenho alguma (mas pouca) inspiração para escrever. Esta inspiração aliada a um texto de um amigo que li há pouco tempo, e ele vai saber quem é, fizeram-me pensar algumas coisas.
Digamos que não estou de bem com a vida, não dou pulos de alegria durante o dia, nem sorrio tanto como devia ou merecia. Quando uma pessoa está neste estado, há duas grandes forças que nos movem e nem sempre nas direcções certas. Essas forças dão-se pelo nome de Medo e Esperança. O Medo e a Esperança direccionam-me para um caminho que não quero e impedem-me de ir pela estrada correcta. Fecham-me portas, prendem-me os pés ao chão, puxam-me quando quero andar e empurram-me quando não devo.
O Medo impede-me de sair do meu buraco, da minha concha, da minha protecção que coisa nenhuma protege. Ele agarra-me com ambas as mãos com uma força descomunal e sussurra-me ao ouvido: "Deixa-te estar sossegado. Não faças asneiras. Estás bem melhor aqui onde nada nem ninguém te pode magoar. Eu protejo-te e dar-te-hei tudo aquilo que necessitas para sobreviver. ".
O Medo é bastante persuasivo.
A Esperança por sua vez, aponta-me um caminho e diz: "Vai. Tenta. Tenho a certeza que há mais estrada depois daquela curva. Lá serás feliz. Lá há arco-íris, sol, amor, compreensão, desejo e paixão.", apesar de já ter percorrido essa estrada e saber que depois da curva há um abismo de tal magnitude que nunca serei salvo.
A Esperança é bastante persuasiva.

...E eu sou facilmente influenciável.

sábado, 28 de novembro de 2009

Dor.

Tenho uma dor. É uma dor aguda, latejante, persistente, daquelas que não nos deixa dormir mas que adormecemos embalados nela mesma. Quando a sinto, é tão forte que às vezes me impede de andar, respirar, ou até pensar. É uma dor que não passa com massagens, comprimidos, medicina alternativa, nem fé num Deus. É uma dor que se mantém durante todo o dia, mas que só se sente quando dela nos lembramos. É uma dor imensa, agoniante, para a qual ainda não descobri qualquer cura..

.. Tenho uma dor na alma.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais um daqueles dias.

Hoje está a ser mais um daqueles dias.
Sinto-me calmo, demasiado calmo. A calma característica anterior a uma calamidade. Penso que o bater do meu coração passaria despercebido a qualquer exame médico. É seguro dizer que tecnicamente e em termos médicos, estou morto. E é assim que me sinto.
Durante os poucos passos que dei na rua durante o dia de hoje não vi nada nem ninguém, ninguém excepto a senhora que me cobrou 55 cêntimos pela minha bica diária. Os meus olhos semi-cerrados apenas viram imagens desfocadas, e os meus ouvidos filtraram todos os sons. Andei sozinho, andei comigo próprio. Costumam dizer:
Mais vale só do que mal acompanhado.
Hoje, agora, estando só, estou muito mal acompanhado.
Gostava de ser forte e conseguir perseguir algo me faça sorrir, mas nem as pequenas coisas do dia-a-dia, que faziam o meu coração palpitar com sorrisos sinceros, hoje estão visíveis. Tudo o que os meus olhos vêem, tudo o que o meu coração sente, é um enorme vazio, uma escuridão imensa. Chamem-lhe um buraco negro, se quiserem. Esse buraco negro, tal como todos os outros, absorve tudo a sua volta até não haver mais nada. Já não sobra muito para ser absorvido e o pouco que sobra não tem grande força para resistir.
Enfim, é mais um daqueles dias. Mais um daqueles dias que se transforma em semanas.. meses..

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E assim começa.

E assim começa o meu blog.
Este espaço é meu e só meu, ninguém mo tira. Não sou poeta, fotografo ou escritor, sou apenas uma pessoa no meio de tantas outras que tem algo a dizer. E direi, ferindo susceptibilidades ou não. Será apenas mais um prolongamento do meu ser, do que me vai na alma e na mente. Sempre que precisar exprimir algo que me atormenta ou me faça sorrir, será aqui que o farei.